O calor está intenso em Sorocaba, isso todos os sorocabanos já perceberam. Porém, ontem, essa situação atingiu um nível preocupante, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Os raios ultravioletas, que são enviados para a Terra pelo Sol, chegaram a uma intensidade considerada extrema no período mais quente do dia, entre às 9h e às 15h. Conforme o Índice de Radiação Ultravioleta (IUV), medido a cada 30 minutos pelo Inpe, Sorocaba, assim como todo o Estado de São Paulo, chegou ao nível de número 14, em uma escala que vai de 1 a 16. Diante disso, é indicado que as pessoas tomem todo o cuidado possível, evitando uma exposição muito prolongada ao Sol. 

Segundo o meteorologista do Inpe, Fábio Rocha, a baixa formação de nuvens no céu está favorecendo para que a cidade e todo o Estado cheguem a esse índice extremo de radiação ultravioleta. Rocha adianta que, apesar de chegarmos a um estado preocupante, atingir o nível 14 é comum nessa época do ano, justamente por estarmos na estação mais quente. "No verão, existe 25% mais chances de ocorrer essa situação do que no outono e na primavera. Por isso, os cuidados devem ser redobrados", relata. 

A técnica do Inpe e mestranda na área de Radiação, Sílvia Garcia de Castro, reitera a afirmação do meteorologista, dizendo ainda que a formação de nuvens está mais intensa ao norte do País, fazendo com que a intensidade do calor seja maior por aqui. "Neste ano, a zona de convergência do Atlântico Sul está mais voltada para o norte. No ano passado tivemos chuvas fortes em São Paulo e no Rio de Janeiro, que causaram problemas. Porém neste ano vemos que os maiores problemas estão no Espírito Santo. Como temos o céu mais limpo em São Paulo, então sentimos mais o índice ultravioleta", explica. 

Conforme o mapa de IUV disponibilizado no site do Inpe (www.inpe.br), o IUV máximo, que é registrado no horário em que o Sol está mais quente, já que 80% dos raios ultravioletas são emitidos, atingiu o pico do número 14 na escala. Esse nível ficou maior do que cidades litorâneas do Nordeste do País, como Salvador, Aracaju, Maceió e Sergipe, que ficaram na casa dos 12 pontos. Já durante a tarde, o IUV de Sorocaba ficou entre 11 e 12 na escala. São cinco as categorias de intensidade da radiação solar: baixo (1 a 2), moderado (3 a 5), alto (6 a 7), muito alto (8 a 10) e extremo (acima de 11). Ao longo da semana, foi registrado inclusive a radiação de 13 pontos, próximo ao limite máximo, que é de 14 pontos. 

Para os próximos dias, os profissionais do Instituto afirmam que a situação deverá permanecer a mesma. "Como deverá ter aumento nas condições de chuva nos próximos dias, o índice pode baixar. Mas isso varia muito, porque depende das nuvens", afirma o meteorologista. 

Segundo a meteorologista do Instituto Nacional de Meteorologia, Neide Oliveira, os sorocabanos poderão se beneficiar com pancadas de chuva isoladas, previstas para hoje e amanhã. "Tem um sistema parado no Sul, em Paraná e Santa Catarina, que vai se deslocar para São Paulo e irá valorizar a ocorrência de chuva. Mas serão apenas pancadas isoladas no período da tarde", ressalta. Já para o domingo há previsão de chuva forte, portanto o céu deverá estar com mais nuvens. Apesar das chuvas, a sensação de abafamento deverá continuar no final de semana, já que serão registradas temperaturas máximas entre 30ºC e 32ºC. 

Cuidados com a pele 

Como o calor está intenso e a emissão de radiação ultravioleta está em níveis extremos, cuidados com a pele são imprescindíveis. A dermatologista e professora da Pontifícia Universidade Católica (Puc) de Sorocaba, Débora Simis, indica que, acima de tudo, as pessoas devem utilizar do bom senso na hora de se exporem ao Sol. "No período entre às 9h e às 15h existe maior incidência de radiação ultravioleta, que são mais penetrantes e podem causar danos irreversíveis, sobretudo se houver abuso. Por isso é indicado tomar Sol nas primeiras horas da manhã e no final da tarde, pois nesses horários os raios solares são benéficos, já que produzem a vitamina D no organismo, evitando o raquitismo, entre as crianças, e a osteoporose", relata. Além disso, Débora informa que o Sol também funciona como antidepressivo, já que a luz emitida "dá mais vida e energia" às pessoas. 

Entre os malefícios causados, quando a pessoa fica excessivamente em exposição ao Sol, a dermatologista cita o envelhecimento precoce da pele, a possibilidade de desenvolvimento de câncer e o aparecimento de manchas. Portanto, o uso do protetor solar é indicado, mas mesmo assim ela indica que todos fiquem atentos a alguns detalhes: "Eles não nos oferecem 100% de proteção. Os protetores solares nos ajudam, mas se cometermos abusos, poderemos sentir os efeitos nocivos. As pessoas precisam saber que o fator 15, por exemplo, significa que podemos ficar 15 vezes mais tempo ao Sol, até começar a aparecer a vermelhidão na pele. Porém ele não te confere 15 vezes mais proteção." 

Além do calor, o tempo seco também pode afetar a pele. Por isso, Débora orienta que as pessoas procurem se hidratar sempre, utilizando cremes hidratantes, e tomar bastante água. "Sobretudo as crianças e os idosos, que têm uma facilidade maior para se desidratarem", diz. 

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População busca proteção

Diante desse Sol escaldante e dos níveis extremos de emissão de radiação ultravioleta, quem trabalha diariamente em exposição aos raios solares deve tomar cuidados ainda maiores. Por isso, um grupo de pedreiros que trabalham na construção de um galpão no Alto da Boa Vista tem em mãos um frasco de protetor solar, que eles utilizam a cada uma hora. "Trabalhamos no sol e depois corremos para uma sombra, para aliviar o calor", conta Nilson André da Silva, de 57 anos. 

Além disso, muita água gelada faz parte dos itens necessários para aguentar o "calorão", que são utilizados por Nilson, Rivaldo Oliveira, 34, Luiz Gonzaga, 54, e Rodrigo Nunes da Silva, 23. "Ficar nesse solzão direto nenhum ser humano aguenta", relata Luiz. 

O representante comercial Dirceu Barbosa, 29, aproveitou os dias de folga que está aproveitando para conseguir um dinheiro a mais. Por isso, está fazendo alguns bicos como ajudante geral. Porém, o que ele não esperava era ter de lidar com o tempo quente que está fazendo nos últimos dias em Sorocaba. Ontem de manhã ele estava fazendo uma canalização de esgoto, no Alto da Boa Vista, e utilizava um chapéu especial, para se proteger do Sol. "Está quente demais. O que ajuda é tomar bastante água", diz ele, com o suor escorrendo por sua testa. 

Além dos trabalhadores, quem pratica exercícios físicos ou aproveita o céu aberto para se divertir nos parques da cidade também precisam lembrar-se da proteção de sua saúde. "Como eu sou bem branca, preciso usar bastante protetor solar. Eu me queimo até na sombra", diz a operadora de caixa Adriana Nogueira, 23. Ela estava passeando ontem pelo Parque das Águas, pois disse não aguentar passar calor dentro de casa. "É tanta água que tomo que acho até que sou filha de camelo", brinca. 

A supervisora Ivone Maria de Jesus, 52, decidiu fazer um piquenique com os netos no Parque das Águas na manhã de ontem, porém não se esqueceu do protetor solar. "Passei bastante protetor neles e estou dando bastante líquido e frutas. Falo ainda para eles não ficarem brincando tanto tempo no Sol, por isso chamo eles de vez em quando para virem na sombra", afirma. 

Fonte: Jornal Cruzeiro do Sul  - 10/01/2014